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>Anesthetize, Live In Tilburg

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Dizem que Porcupine Tree é uma banda de rock progressivo. Não acho, rock progressivo para mim é outra coisa. Claro que há influências do gênero no som da banda, mas penso que essa “classificação” não caiba. Aliás, acho que “classificação” alguma é necessária, só é preciso dizer que o Porcupine Tree é uma ótima banda.

Em estúdio, a banda é mais que excelente. A produção, a masterização, a mixagem, os arranjos são impecáveis. É dado ao ouvinte a oportunidade de saborear cada detalhe. Em termos de áudio, a qualidade é indiscutível. Em termos musicais, ficar indiferente é impossível.
Ao vivo, a banda é simplesmente brilhante. Obviamente, as canções não são reproduzidas fielmente às gravações ao vivo. Mas quase. Algumas soam melhor ao show com o acréscimo de arranjos, com a mudança de uma determinada parte… Sem falar na competência dos músicos, no talento dos instrumentistas… Enfim, Porcupine Tree é simplesmente uma banda fantástica ao vivo.
Feitas as apresentações, vamos ao objetivo pretendido: tentar resenhar o DVD Anesthetize Live in Tilburg. O vídeo é o segundo registro ao vivo em DVD da banda, que consiste nas gravações de dois concertos realizados em Tilburg no ano de 2008. O setlist do show é basicamente o álbum Fear of a Blank Planet (maravilhoso, por sinal) por inteiro e algumas músicas de outros álbuns. É um setlist consistente, mas aos olhos dos fãs parece que sempre falta alguma(s) canção(ões)…
Já disse que em estúdio o áudio é impecável. Ao vivo não é diferente. Tudo em seu devido lugar. A iluminação é muito sutil, geralmente luz baixa, algumas cores em alguns momentos. Mas sem exageros. Uns telões compõem o ambiente, mostrando por vezes imagens conceituais, por vezes complementando a ambientação. A qualidade sonora e a qualidade visual fazem deste DVD uma produção belíssima. Complexo e simples ao mesmo tempo.
Também já falei que os músicos são bastante talentosos. Mas tenho que fazer algumas considerações acerca do que observei ao vivo. De início, tenho que ressaltar que, embora sejam instrumentistas habilidosos individualmente, funcionam como um grupo. Nenhum deles quer provar o quanto é bom no seu instrumento, apenas fazer parte da música. Nada contra quem quer mostrar suas habilidades instrumentais, mas a vaidade pode atropelar a música. Às vezes acho que as pessoas confundem virtuosismo com vaidade. Ainda bem que o Porcupine Tree não é assim. Apesar de o Steven Wilson ser o líder e principal compositor, todos os integrantes possuem uma parcela de culpa na banda. Até o John Wesley, que não é integrante oficial, eu vejo como parte do P.T. ao vivo. Ele é uma peça importante, não apenas um músico de apoio. Ótimo guitarrista e dono de uma voz que potencialmente poderia parecer pouca coisa, mas que se encaixa doce e perfeitamente nos momentos em que é colocada. Em linhas gerais, uma banda entrosada, que possui “química”. (N.A. Não gosto da palavra química, mas ela foi necessária aqui).
Passagens acústicas, momentos mais “pesados”, sons atmosféricos, texturas, arranjos de voz belíssimos, guitarras trabalhadas, baixo sólido e consistente, sintetizadores “viajantes”, bateria magnífica nos detalhes. Um pouco do que se vê nesse DVD.
Um registro ao vivo de uma banda de verdade. Pouca luz, algumas imagens ao fundo, amplificadores e equipamentos de som no palco, cinco músicos e seus instrumentos. Sem performances, apenas uma apresentação musical. Do jeito que costumo gostar.
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