Incomunicabilidade

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>Inverso…

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Curiosamente, minhas trilhas sonoras prediletas – Into the Wild(Na Natureza Selvagem) e Diários de Motocicleta – foram ouvidas antes que eu assistisse aos respectivos filmes. Bem antes, questão de anos.
Porque eu demorei tanto tempo para assistir aos filmes se tinha gostado tanto da trilha sonora? Eu não sei. O que eu sei é que foi interessante ver como a música “se encaixava” em cada cena, como complementava “a atmosfera” do filme, como catalisava as emoções, como se integrava à fotografia… “Conhecer ao inverso” me oportunizou um olhar diferente, o sabor de conhecer novamente o já bastante conhecido. As trilhas trouxeram mais beleza aos filmes, e principalmente, sensibilizaram esse inquieto coração que vos escreve. 
As produções se tangenciam no ponto em que se mostram – pelo menos aos meus olhos – como buscas… Buscas pela verdade, pela liberdade, pelo conhecer, pelo vivenciar. Cada uma apresenta-se a seu modo, obviamente. Mas no fundo, os espectadores que se sensibilizam, o fazem pelo mesmo motivo, porque suas vidas também são cheias de buscas ou desejos de buscas e os filmes parecem acender questionamentos e identificações pessoais.
Essa “aproximação” que as películas permitem com os que assistem ocorre porque os enredos não se desenrolam com distanciamento, poderia ser qualquer um de nós naquelas situações. Claro que há os floreios cinematográficos, mas o que “chega”, o que marca, o que fica em que assiste são impressões humanas, reais. De fato, foram baseadas em fatos reais, mas se não fossem, não importaria, “chegaria” do mesmo jeito. Ouso dizer que se você assiste sem esse conhecimento prévio de que são produções baseadas em escritos de experiências de certos “alguéns”, não pensaria nesse aspecto.
Não sei se isso ocorreu a mais alguém, mas acabo relacionando esses filmes à reflexão da vagueza de certos conceitos arraigados em nós. Liberdade, justiça, sensatez, sucessos, obrigações, progressos, certos, errados, bons, maus… Isso tudo é facilmente moldado pelas morais e inclinado para interpretação mais confortável, não para todas as pessoas, mas para manter intactas as vestes superficiais do jogo de interesses que chamamos de sistema social. Acabamos criando uma “consciência de rebanho” ao aceitarmos essa cadeia de contradições que nos é imposta e nos distanciando das relações humanas, da natureza, da memória viva. Acredite, o simples conhecer pessoas, lugares e histórias nos afasta dos artificialismos e nos faz sentir mais próximos de nós mesmos e de tudo o que nos cerca. 
Para completar, os filmes possuem ambientações belíssimas. Da Natureza Selvagem de Into The Wild à vasta e maravilhosa “América Latina que não é mostrada nos livros”de Diários de Motocicleta. Não poderia deixar de citar esse aspecto, mas não tenho muito a falar dele, é melhor que vejam…
No mais, só dois belos filmes somados à deliciosas trilhas sonoras que lembram que nosso sangue corre em veias e não em fibras óticas. 
Sabe aquela estória de não se julgar um livro pela capa? Acho que isso não se aplica aqui… Podem julgar esses filmes pela trilha sonora…
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>Into the Wild OST

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Eis que finalmente tomo coragem para escrever sobre um dos meus companheiros dos últimos tempos, o álbum solo do Eddie Vedder. Into the Wild já é um velho conhecido, mas tem estado mais presente ultimamente em minhas audições por que… Não sei bem o porquê. Acho que já escrevi sobre isso no blog, que sofro de uma nostalgia musical, que de tempos em tempos algumas das minhas predileções artísticas me acompanham em certos momentos, ficam “descansando” um pouco e depois voltam trazendo outros sabores e a mesma paixão de outrora. Penso que esse seja o caso desse álbum.

Canções simples, curtas. Não há muitos timbres, não há várias texturas. Apenas violões (ou ukuleles) e a voz rouca e consistente do Vedder em grande parte do álbum. Poucos instrumentos, mas nenhum espaço vazio. As letras são belíssimas, os arranjos são cativantes. Introspectivo, sensível, bonito, instintivo, simples.
Deve ser pelo fato da voz do Eddie Vedder me acompanhar desde o final da minha infância nos mais variados momentos que tenho essa ligação com esse álbum. Essas canções são minha voz em determinados momentos. Ótimas amigas para àquelas horas nas quais se quer respirar, sentir um pouco à brisa, fugir das mentiras…
No filme, as canções encaixam-se nas cenas de modo a encher os olhos, ouvidos e coração. Por falar nisso, o filme é muito bonito, mas é assunto para outro post…
Minha canção preferida do álbum talvez seja Society, que não foi escrita pelo Eddie, mas a sua interpretação… Sou suspeita para falar! (fã de Pearl Jam) Acho que esta em especial reflete “meu estado de espírito” desses dias… “Oh, it’s a mystery to me /We have a greed with which we have agreed /And you think you have to want more than you need / Until you have it all you won’t be free/ Society, you’re a crazy breed / Hope you’re not lonely without me”…

P.S.: Já faz um tempo que não escrevo sobre algum disco aqui. A proposta (?) inicial do blog era estar voltado às resenhas musicais, mas as coisas tomaram vários rumos e ao mesmo tempo não tomaram rumo algum.

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