Incomunicabilidade

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PNBL: O Brasil em Alta Velocidade ou Qualquer Internet é melhor que Internet alguma

O PNBL, Plano Nacional de Banda Larga, representaria um avanço primordial nos processos de democratização da comunicação se não inclinasse, no fim das contas, para mais uma política tapa-buracos. O Plano funciona como um paliativo – “medidas paliativas” não são incomuns na resolução de problemas públicos –,  já que até estende o acesso à Banda Larga por preços mais acessíveis, mas não garante a qualidade do serviço.

Nas palavras do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo:

“É melhor ter milhões reclamando da internet do que milhões sem saber como ela funciona para poder reclamar”. “Por que só eu posso reclamar da minha internet? Por que o rapaz que serve o cafezinho aqui não pode fazer isso?”

Há no discurso um tom quase messiânico, como se o que o governo estivesse fazendo fosse um favor, um ato generoso, uma bondade sem tamanho aos que não possuem condições financeiras de pagar por um “serviço de internet de qualidade”. Mas isso não é favor. Qualquer política pública – o próprio nome já diz – não deve ser vista como “presente” aos cidadãos, mas como responsabilidade para com os cidadãos.

Nessa estratégia paternalista de “vamos dar aos pobres qualquer serviço, já que sem nós eles não teriam serviço algum mesmo”, não há nada de ingênuo. O PNBL é para agradar gregos e troianos: “os cidadãos que, se não fosse pelo plano, não poderiam reclamar da sua internet” e – principalmente – as Teles.

“Quem assinar internet a partir do PNBL, que entra em vigor até 1º de outubro, vai navegar a uma velocidade de 1 Mbps (megabite por segundo), por R$ 35 mensais, e com permissão para baixar, no máximo, 300 MB (megabites) de arquivos por mês. Esse limite equivale a capturar três músicas por dia. Depois desse teto, o usuário pode continuar baixando arquivos, mas a velocidade cai.”

Sabem o que é 300mb por dia? Quem tem 3G sabe os quão “divertidos” são esses limites impostos para o download e/ou navegação. Note que não há menção no texto ao quanto a velocidade cai quando o limite é ultrapassado. Ou seja, a conexão pode variar pouco, mas também pode variar muito.

Chega até ser irônico que o slogan do PNBL seja o “Brasil em Alta Velocidade”. Não adianta propagandear, o PNBL é – desculpem-me a expressão – mais um tapa-buracos.

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>Bem vindo, Obama! #ObamaOutofBrazil

Mais que uma visita de um presidente. A visita do primeiro presidente negro dos Estados Unidos a terras brasileiras no governo da primeira mulher presidente do país. O Brasil, claro, receberá com muito gosto – algo maior que um simples apreço – esse visitante ilustríssimo. O alarde, então é justificável: a figura carismática – que substitui a imagem negativa do Bush –, vem trazer seus bons intentos aos países latino-americanos. Estreitamento de amizades… Ah, claro!
Simbolismos. Deve ser isso. Melhor, faces. Duas faces: uma para mostrar e outra para esconder. Esconder os interesses, mostrar o que é interessante para o público para “legitimar” comprometimentos. O que Obama traz? Novas oportunidades econômicas. Leia-se: Interesse em exportações e no Pré-Sal. Epa, o que os Estados Unidos têm a ver com o Pré-Sal? Não me pergunte. Hillary Clinton pôs isso em outras palavras: “Obama vai anunciar no Brasil novas oportunidades econômicas e novos caminhos para trabalharmos juntos em energia, inovação e educação”. Para quem isso trará benefícios? Por certo, não ao povo brasileiro. Energia, Inovação e Educação… A situação já não é das melhores, imagine se…
A outra face, para mostrar o que é interessante, é o que vemos na TV. É o que constrói e se propõe legitimar a figura de Obama como ícone. Sob esta ótica, ele não é um político, é uma celebridade. Todos querem falar, mandar mensagens, fotografar, ver discurso… Afinal, é o presidente dos States! Googleando, não é difícil se deparar com um anúncio publicitário: Dê Boas Vindas ao Presidente Online e Faça Parte Dessa Visita Histórica”*. Vocês não acham que já tem gente demais se preocupando com o que ele vai comer ou deixar de comer?!
Um ponto que merece ser ressaltado, que não é particular a essa visita, que ocorre todas as vezes que alguém “importante” pisa em solo brasileiro: A gigantesca mobilização. O país se transforma nesses eventos. Nesse intervalo, teremos Forças Armadas, um grande contingente policial, limpeza urbana, vias isoladas para o livre trânsito. Tudo para o Obama, claro. É inimaginável que isso ocorra em tempos cotidianos. Quando tudo acabar e ele voltar para casa, tudo volta ao normal: insegurança, lixo nas ruas, trânsito caótico. Tudo volta ao normal?
*Após acabar o texto, verifiquei que já havia passado de 10 mil o número de mensagens de boas vindas ao Obama enviadas por brasileiros… Nossa!
*2.  Através do Twitter, fiquei sabendo da repressão aos ativistas que manifestavam contra a vinda do Obama. Liberdade de expressão? Democracia? Onde?!
*3. Tem uma galera dando as felicitações pela visita, é só procurar a hashtag #ObamaOutofBrazil no twitter…
*4. Tudo perfeitinho na capital do país enquanto o Obama estiver por lá. Mas na realidade… Não há Simples Solução para o Caos (Inferno de Dandi).

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