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Todo dia é véspera do fim dos tempos: A mídia televisiva e o apocalipse irremediável


Diante de uma indeterminável força de destruição que a sociedade capitalista faz questão de exercitar todos os dias – seja em ocasiões “cotidianas” ou “eventuais” –, a impossibilidade de saída é constantemente forjada. Introduzir um viés apocalíptico de uma inverdade imutável, injetar uma sensação de impotência, fomentar ingênuas ilusões, sustentar o insustentável. Fingir interminável o indeterminável.

A grande mídia televisiva parece cumprir bem esse papel, ao passo que constantemente trata de tratar tudo como um grande discurso vazio. Sob o prisma desses detentores da verdade, uma tragédia é sempre o palco de um drama novelesco. Quase nunca, um debate realmente válido. Sempre, um sensacionalismo exacerbado e barato (mas que rende muito – perdão pelo trocadilho). Quase nunca, uma possibilidade de saída.

Para segurar a audiência, tudo é transformado numa grande novela, desde “o drama” da contratação de jogadores de futebol até o drama da situação atual do Japão. Há os típicos personagens: vilões, heróis… Nessas “tramas”, um jogador de futebol famoso pode ser o herói e a Natureza, a vilã. De fato, não importa muito. Teatralização, no pior sentido da palavra. Como esperar desses fomentadores de uma sociedade do espetáculo postura diferente?

Ativistas quase nunca são ativistas, são rebeldes; islâmicos quase nunca são islâmicos, são terroristas; um desastre natural nunca é um desastre natural, é um prenúncio para o fim dos tempos. Sob os olhos de quem vê o povo como massa acrítica e impotente, a informação não parece ser informação: parece ser uma projeção fetichizada e mascarada da realidade. Alguém se esqueceu de dizer a estes que “a política do pão e circo” (nesse caso, apenas do circo – do pão, “outra instância” é responsável)  já se foi há muito. Ou não foi?

Essa semana foi a tragédia no Realengo, mas poderia ter sido o terremoto do Japão, a Guerra da Líbia, a visita do presidente dos EUA ou alguma outra peripécia de mais uma outra celebridade… Afinal, o show deve continuar. Não é mesmo?

 

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